Ler e escrever são meus passatempos preferidos depois de conversar, estar com meus amigos e minha família. Ler me faz conhecer novos lugares, novas pessoas, conhecer um novo mundo, ler me faz sonhar, me faz querer correr atrás dos meus sonhos, ler me faz ter uma visão diferente, me abre novos horizontes, me faz acreditar que o impossível é possível, como a presença dos deuses do Olimpo ou do Egito antigo no nosso mundo atual, a presença de alienígenas ou a existência de um planeta chamado Lorien. Escrever me faz sentir melhor, me faz querer compartilhar meus pensamentos mais ocultos, minhas ideais mais malucas, me faz sentir leve, infinito.
Balada do amor entre as idades é meu poema preferido de Drummond, me identifiquei com dele desde a primeira vez que o li, ele é simplesmente perfeito e por isso gostaria de compartilhá-lo.
Balada do amor através das idades
Carlos Drummond de Andrade
Eu te gosto, você me gosta
desde os tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal da cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
Bye.